CONHECIMENTOS TÉCNICOS- O BÁSICO DO AVIÃO – AULA 1

Conhecimentos Técnicos é aquela típica matéria que assusta a princípio, parece tão extensa e obscura que dá até preguiça de começar. Mas não é bem assim, Conhecimentos técnicos é sim um tema complicado, mas não impossível. Provavelmente você já se aprofundou no seu curso teórico, ou até mesmo em casa como autodidata. Mas por que não voltarmos ao básico?

Muitas vezes não conseguimos entender o por que de não captarmos determinados assuntos. Porém, não nos atentamos ao fato de que o motivo pode ser um erro banal na compreensão de um único tópico anterior despretensioso, mas elementar. Em grande parte das vezes é esse o caso.

Enfim, passadas as razões para um começo pelo inicio (complicado, não?), mãos à obra!

Música Para a Aula

O CONCEITO DE AERONAVE

Aeronave é todo aparelho capaz de voar. Faz sentido… Essas mesmas aeronaves podem ser classificadas em duas classes distintas: Aeróstatos e os Aeródinos.

– Aeróstatos = São os veículos “mais leves que o ar”, é o caso dos Balões, dos Dirigíveis. Os Aeróstatos realmente não nos importam, a não ser que você se depare com um balão na sua proa durante a final, neste caso eles possuem importância vital.

– Aeródinos = Esses sim nos interessam, são aeródinos todas as aeronaves que se baseiam na 3º Lei de Newton (Ação e Reação), e são, obviamente, mais pesados que o ar. Os Aeródinos podem ser tanto de Asa Fixa (Aviões, Planadores, Aero Boeros..), como de Asa Rotativa (Helicópteros).

Nos aeródinos de Asa Fixa o componente que gera a sustentação é a Asa (Também faz sentido). Já nos de Asa Rotativa são as Pás do Rotor (Que fazem menos sentido do que a anterior). Ambos, Asas e Pás do Rotor são denominados Aerofólios, ou seja, são dispositivos que possuem relação direta com a sustentação e, consequentemente, com o voo do avião e do helicóptero.

Como o foco é com o curso de PPA (Piloto Privado de Avião), os helicópteros não terão muito enfoque nesse e nos próximos artigos. Mas quem deseja pilotar helicópteros sinta-se sempre bem-vindo, a profissão é linda e, quem sabe um dia, não tenhamos alguém pra editar conteúdos mais aprofundados sobre eles.

O AVIÃO E SEUS COMPONENTES

Os elementos de um avião podem ser classificados em 3 ( Três) grupos:

  1. Estrutura – É o corpo do avião, tudo o que dá forma ao avião faz parte deste grupo: Asas, Ailerons, Fuselagem, Empenagem e Superfícies de Controle.
  2. Grupo Moto-Propulsor – É o componente que fornece a propulsão ou força responsável pelo deslocamento do avião. A gente costuma chamar de “Motor” e “Hélice”.
  3. Sistemas – São diferentes partes com determinadas funções. Por exemplo: O Sistema de Combustível, o Sistema Elétrico, Sistemas de Ar Condicionado, etc…

ESFORÇOS ESTRUTURAIS

Os principais tipos de esforços sofridos por um avião durante seu voo são os seguintes:

  • Tração         
  • Compressão
  • Flexão
  • Cisalhamento
  • Torção

Uma imagem é capaz de explanar melhor do que o mais iluminado escritor:

MATERIAIS

Eles devem ser resistentes e leves, mas nem sempre é assim, pelo menos não quando os órgãos competentes são ausentes. Pergunte ao Cmte.Rogério Maconha, aviador excepcional do garimpo que já voou com avião recoberto com Morim das Casas Pernambucanas, cômico e quase trágico. Enfim, as Ligas de Alumínio são o material mais utilizado, existem também aviões recobertos com telaplástico reforçado ou com o moderno e eficiente Kevlar.

ASAS

As asas produzem a sustentação necessária ao voo, o aprofundamento nessa formação da sustentação só será visto no básico da Teoria de Voo. O foco aqui são os principais componentes de uma asa e suas respectivas funções:

  • Suportes – Dão apoio à asa, são componentes de aviões de asa alta ou parassol (asa semi-cantiléver).
  • Longarinas – São os principais elementos da asa e resistem à esforços de Flexão.
  • Tirantes – São cabos de aço esticados em diagonal que suportam esforços de Tração (Necessários somente em asas cobertas com tela).
  • Nervuras – Dão o formato aerodinâmico à asa e transmitem os esforços aerodinâmicos sofridos para a longarina.
  • Montantes – Normalmente se localizam entre as longarinas e suportam esforços de Compressão (Necessários somente em asas cobertas com tela).

Os aviões podem ser classificados quanto à asa que possuem:

Quanto à localização eles podem ser: 

  • Asa Baixa (Piper Cherokee)
  • Asa Média (Piaggio P180)
  • Asa Alta (Cessna 152)
  • Asa Parassol (Repulogpégyàr Levente) 

Já quanto à fixação das asas:

  • Asa Cantiléver (observe a inexistência dos suportes)

  • Asa Semi-Cantiléver

Quanto ao número de asas: 

  • Monoplano 
  • Biplano -Tem duas, ó só, duas asas.
  • Triplano – Nunca vi, mas dizem que existe, ou existiu.

E, por fim, podem ser classificados também quanto a forma da asa:

  • Asa Retangular

  • Asa Trapezoidal

  • Asa Elíptica

  • Asa em Delta

FUSELAGEM

A fuselagem é aonde estão fixadas as asas e a empenagem. É nela também que fica a galera que gosta de voar (ou não). A fuselagem pode ser classificada em 3 (Três) tipos:

  • Estrutura Tubular – É constituída por tubos de aço soldados, externamente é apenas revestida por Tela (ou Morim). É o tipo mais arcaico de estrutura.
  • Estrutura Monocoque – Nesse tipo de estrutura são as cavernas que conferem o formato aerodinâmico. Os esforços são suportados por essas mesmas Cavernas e também pelo Revestimento, que normalmente é de ligas de Alumínio, Plástico Reforçado ou Contraplacado de Madeira.
  • Estrutura Semi-Monocoque – É o tipo de estrutura mais frequente nos aviões contemporâneos. É formada por Longarinas, Cavernas e Revestimento, todos capazes de suportar aos esforços sofridos pelo avião. Os materiais são os mesmos da Monocoque.  A principal diferença entre ambos os tipos de estrutura é a presença da Longarina na Semi-Monocoque, sendo a mesma inexistente na Monocoque.

EMPENAGEM

A empenagem é um conjunto de componentes associados a estabilizar o voo do avião. Pode ser dividida em duas partes:

  • Superfície Horizontal – Aquela que fica na horizontal (Sério isso?!) e se opõe à tendência de levantar ou abaixar a cauda. É normalmente formada por um Estabilizador Horizontal fixo e um Profundor móvel. Pode ser também inteiriça e toda móvel.
  • Superfície Vertical – É a superfície que se opõe à tendência de guinar do avião. Normalmente é constituída por um Estabilizador Vertical fixo (Deriva) e um Leme de Direção Móvel.

SUPERFÍCIES DE CONTROLE

São as partes móveis da asa e da empenagem, normalmente ficam no bordo de fuga do aerofólio, e têm como função o controle do voo do avião. As superfícies de controle podem ser dividias em duas:

  • Superfícies Primárias – Ailerons, Leme e Profundores.
  • Superfícies Secundárias – Compensador do Aileron, Compensador do Profundor e Compensador do Leme de Direção.

FLAPES e “SLATS”

Ambos são os chamados Dispositivos Hipersustentadores pois permitem um aumento da sustentação produzida pela asa (daí vem o “hiper”, perspicaz, não?). São muito úteis no pouso e até mesmo na decolagem, pois permitem que a mesma seja mais curta e que o pouso seja feito com menor velocidade.

SPOILERS

São os Freios Aerodinâmicos do avião, logicamente são utilizados com o objetivo de diminuir a velocidade do avião, normalmente durante uma descida ou auxiliando a parada da aeronave após o pouso. Podem, também, auxiliar na função dos Ailerons. São mais comuns em aviões de alta performance, sendo remota a sua existência em aeronaves da aviação geral.

COMPONENTES SECUNDÁRIOS 

Também fazem parte da estrutura do avião as portas, janelas de inspeção, carenagens…

Espero que esse artigo tenha sido de fácil compreensão e que seu conteúdo tenha sido estudado com a calma necessária, por mais básico e sucinto que seja. Uma segunda leitura pode ser um bom caminho para quem não entendeu ou memorizou determinados pontos. Caso alguma passagem esteja confusa me avise comentando e me indicando o que pode ser melhorado. Terei prazer em fazer as adequações necessárias. Assim como tudo na vida, escrever exige prática. Ao longo do tempo desejo aperfeiçoar minhas técnicas de escrita a fim de melhorar a assimilação e compreensão do que for escrito. Mas, enquanto eu não me torno um Drummond da vida (acomode-se pois vai demorar), eu vou me virando da forma que sei para trazer um conteúdo sempre simples, bem-humorado, atual e conveniente a todos nós, Aspirantes a Aviador!

Entrevista imperdível com o supracitado Rogério Maconha, vale a pena conhecer a figura: